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domingo, 29 de maio de 2016

Evangelho X Domingo Tempo Comum - Ano C - Lc 7, 11-17

Comentários ao Evangelho X Domingo do Tempo Comum - Ano C
"Naquele tempo, 11 Jesus dirigiu-Se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13 Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: ‘Não chore!'. 14 Aproximou-Se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: ‘Jovem, eu te ordeno, levanta-te!'. 15 O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16 Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo'. 17 E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza" (Lc 7, 11-17).
O impacto das iniciativas do Redentor
Para fazer milagres, Jesus exigia uma prova de fé do favorecido. Mas, às vezes, era Ele que se adiantava a qualquer pedido e distribuía seus divinos benefícios. Esse modo de agir encerra em si um profundo significado.
I - O choque das grandes conversões
Na História da Igreja é frequente encontrarmos situações nas quais um apóstolo, inspirado por Deus, deseja a conversão de alguma alma afastada da Religião. Entretanto, muitas vezes seu ardor se vê coarctado pela negativa de quem é objeto de seu zelo. Todos os esforços se revelam inúteis, pois a argumentação não logra dobrar uma vontade obstinada.
Afonso Ratisbonne, por exemplo, era um israelita de raça e religião, profundamente enraizado em suas tradições. Seu amigo, o Barão de Bussières, movido por uma moção interior da graça, usou dos mais convincentes recursos da apologética para tentar convertê-lo à Igreja Católica, sem obter sucesso. Aferrado às próprias convicções e mais preocupado em gozar das delícias da vida que o futuro lhe oferecia, Afonso aceitou apenas levar ao pescoço uma medalha de Nossa Senhora das Graças, com a promessa, a contragosto, de recitar todos os dias o Memorare - o "Lembrai-Vos", a conhecida oração de São Bernardo. "Eu não podia me dar conta" - narraria mais tarde o Barão de Bussières - "da força interior que me impelia, a qual, a despeito de todos os obstáculos e da obstinada indiferença oposta por ele a meus esforços, dava-me uma convicção íntima, inexplicável de que, cedo ou tarde, Deus lhe abriria os olhos".1

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Eucaristia

Quando comungamos do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos comungar com a fé de quem se abandona nas mãos d'Aquele que tudo pode. Veja a homilia de Mons João Clá Dias.



quarta-feira, 25 de maio de 2016

Evangelho IX Domingo do Tempo Comum – Ano C - Lc 7, 1 -10

Comentários ao Evangelho 9º Domingo do Tempo Comum – Ano C
Naquele tempo, 1 quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2 Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte.3 O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado.4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, 5 porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”.
6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa.7 Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente a teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8 Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem e ao meu empregado ‘Faze isto!’, e ele o faz”.

9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”.10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde (Lc 7, 1 -10).
A medida de nossa fé é nossa esperança
Nosso Senhor Jesus cristo pode e quer nos auxiliar em todas as nossas necessidades. Mas Ele condiciona a manifestação de sua onipotência misericordiosa à intensidade de nossa fé.
O Verbo divino é onipotente
Pelo semblante se conhece um homem; pelo aspecto do rosto se reconhece o sábio. A maneira como um homem se veste e como sorri, e a sua maneira de andar revelam aquilo que ele é”, observa o Eclesiástico (19, 26-27), transformando em máxima esse curioso matiz do relacionamento social. De fato, observar o exterior de uma pessoa leva-nos a melhor conhecê-la, pois algo da própria personalidade transparece tanto através da constituição física do corpo, quanto por meio de suas reações temperamentais.
Assim, embora o homem não veja o que se passa no interior de seu semelhante, pode discerni-lo pelas manifestações exteriores. Tal capacidade de percepção ocupa importante papel na vida em sociedade, pois, permitindo ao homem formar uma noção mais completa a respeito de seu próximo, propicia certa facilidade de mútua compreensão e adaptação, fatores indispensáveis para uma boa convivência.
Não obstante, essa regra teve uma singular exceção na História: Nosso Senhor Jesus Cristo. Sem dúvida, seu semblante e modo de ser denotavam, de forma indiscutível, um caráter superior. No aspecto físico não havia a mínima incorreção; dos gestos e do olhar emanavam nobreza e sublimidade, além de uma irresistível força de atração sobre quem O contemplasse, mesmo por poucos instantes. Contudo, por mais extraordinária que fosse a compleição de Jesus — a qual refletia sua perfeitíssima alma humana —, ela não evidenciava sua personalidade divina. E essa foi a prova de todos os que d’Ele se aproximaram durante os 33 anos de sua vida mortal: crer na divindade d’Aquele Mestre “exteriormente reconhecido como homem” (Fl. 2,7).

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)

Conclusão dos comentários ao Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)
III – O Imenso Dom da Eucaristia
A partir deste episódio que contemplamos aqui pela pena de São Lucas, São João, por sua vez, em seu Evangelho, demonstra na sequência da sua narração que com esse milagre Nosso Senhor tinha em vista a revelação formal da Eucaristia. O milagre da multiplicação dos pães é apenas uma introdução — pálida, mas quão cuidadosa — escolhida pelo Redentor para sublinhar o tema eucarístico e desenvolvê-lo com extraordinária clareza no discurso sobre o Pão da Vida (cf. Jo 6, 22-59). Eis a razão de ser lembrado pela Igreja ao comemorar a Solenidade de Corpus Christi.
O significado profundo do milagre está no fato de Deus ter criado o homem com a necessidade digestiva — como aludimos a princípio — porque iria oferecer-Se em alimento. Ele, que poderia ter-nos criado com a subsistência baseada somente no ar, por exemplo, quis que tivéssemos a necessidade de comer, para ficar patente que, assim como na alimentação se encontra a base da vida natural, a essência da vida da graça está na Eucaristia.12
Um banquete para a alma

sábado, 21 de maio de 2016

Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)

Comentário ao Evangelho Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)
Naquele tempo, 11 b Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam.
12 A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”.
13 Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”.
14 Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”.
15 Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. 16 Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. 17 Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.
O mais substancioso dos banquetes
Ao criar o homem com necessidade de se alimentar, quis Deus estabelecer na nutrição o sustento da vida natural. Esta situação é imagem da vida da graça, cuja base também é um alimento celeste: a Eucaristia.
I – A Alimentação é conatural ao homem
A vida no Paraíso proporcionava ao homem inúmeros gozos e alegrias, pois a harmoniosa disposição de todas as coisas o cumulava de bem-estar. Nossos primeiros pais encontravam-se cercados de muitos privilégios concedidos por Deus, com vistas a que a felicidade da existência terrena os levasse a amá-Lo de maneira mais perfeita. Um desses deleites, quiçá pouco considerado, porém valioso, era a facilidade com que podiam servir-se dos melhores alimentos. Ensina São Tomás de Aquino1 que, sendo a alimentação parte do mandato divino (cf. Gn 2, 16), o homem pecaria caso não comesse. Não era necessário, entretanto, trabalhar para preparar o alimento, pois a própria natureza oferecia as mais deliciosas iguarias, prontas para serem degustadas. Prova disso é que Adão, quando foi posto fora do Éden, escutou de Deus estas duras palavras: “Ganharás o pão com o suor de teu rosto” (Gn 3, 19). O castigo revela que antes ele o recebia sem fadiga, embora não saibamos exatamente como isso se passava.
Com o pecado original, o homem perdeu este e tantos outros benefícios, conforme recorda São João Crisóstomo: “Foi como se Deus lhe dissesse: Eu te preparei, ao criar-te, uma existência isenta de dores, de trabalho, de fadigas e inquietudes. Tu gozaste de uma felicidade perfeita e, sem conhecer nenhuma das tristes sujeições do corpo, gozaste em plenitude de todas as delícias da vida. Mas tu não soubeste apreciar este feliz estado, e eis que Eu amaldiçoo a terra. Daqui em diante, se não a trabalhares e não a cultivares, ela já não te dará como antes seus diversos produtos; Eu inclusive acrescentarei, aos trabalhos e penosos labores, as doenças e contínuas fadigas, de sorte que tu não possuirás coisa alguma senão ao preço de teus suores, e esta tão dura existência será uma contínua lição de humildade e uma lembrança de teu nada”.2

domingo, 15 de maio de 2016

Evangelho Solenidade da Santíssima Trindade – Ano C - Jo 16, 12-15

Comentário ao Evangelho – Solenidade da Santíssima Trindade – Ano C 
"Naquele tempo disse Jesus a Seus discípulos: 12 ‘Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13 Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e até as coisas futuras vos anunciará. 14 Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15 Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que Ele receberá e vos anunciará é meu'" (Jo 16, 12-15).
Constatando a insuficiência da humana inteligência diante dos maiores mistérios de nossa Fé, resta-nos prestar um tributo de amor e gratidão ao Deus Uno e Trino, que nos oferece uma dádiva infinitamente acima de nossa natureza e merecimentos.
I - Um dos maiores mistérios da nossa Fé
Conta uma piedosa tradição que, estando o grande Santo Agostinho muito empenhado em procurar compreender a Santíssima Trindade, certo dia sonhou que presenciava na praia um menino esvaziando baldes e baldes de água do mar em uma cavidade na areia. Intrigado, aproximou- se dele e indagou:
 - Que fazes aqui, meu jovenzinho?
- Tento colocar toda a água do mar neste buraco na areia.
- Mas, não vês que isso é impossível? - perguntou-lhe o santo.
- Pois sabei, Agostinho, que mais fácil é transferir para aqui toda a água do mar do que vós compreenderdes o mistério da Santíssima Trindade.
A sábia resposta fez o Doutor da Graça dar-se conta da insuficiência da inteligência humana, ainda que tão brilhante como a dele, perante um dos mistérios centrais da nossa Fé.
Inatingível pela mera razão natural