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sábado, 22 de abril de 2017

Evangelho III Domingo da Páscoa - Ano A

Comentários ao Evangelho III Domingo da Páscoa - Ano A
13 Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14 Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15 Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus Se aproximou e começou a caminhar com eles. 16 Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não O reconheceram. 17 Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18 e um deles, chamado Cléofas, Lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19 Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um Profeta poderoso em obras e em palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20 Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e O crucificaram. 21 Nós esperávamos que Ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas estas coisas aconteceram! 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23 e não encontraram o Corpo d’Ele. Então voltaram, dizendo que tinham visto Anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24 Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A Ele, porém, ninguém O viu”. 25 Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26 Será que Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27 E, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito d’Ele. 28 Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29 Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30 Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o, e lhes distribuía. 31 Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles.
32 Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33 Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros.
34 E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão (Lc 24, 13-35).
Um dos mais belos convívios da História
A acolhida afetuosa dos dois discípulos, o grande respeito dos três interlocutores entre si, a elevação do tema tratado, o tônus da conversa e, sobretudo, a delicadeza e a didática de Jesus fazem desta passagem evangélica um dos mais belos episódios do relacionamento humano.
I - INTRODUÇÃO: O INSTINTO DE SOCIABILIDADE
Jesus, exemplo do equilíbrio dos instintos
Desde o primeiro instante de nossa criação, Deus dotou-nos de instintos. Eram eles ordenados sob os influxos do dom de integridade até o momento em que Adão e Eva pecaram. A partir de então, só com auxílio da graça nos é possível utilizar cada um deles de acordo com a Lei de Deus, de maneira estável.
Um dos mais excelentes entre todos é o instinto de sociabilidade, e talvez até, por isso mesmo, um dos mais perigosos fora da atmosfera sobrenatural. Daí ter afirmado Sêneca: "Quanto mais vezes estive entre os homens, menos homem retornei" ; e Thomas Hobes: "O homem é um lobo para outro homem". Sim, o extremo de horrores a que podem chegar os homens no seu relacionamento à base do egoísmo é simplesmente inimaginável e assustador.
Mas, se mal conduzido esse instinto, os resultados podem vir a ser catastróficos, no extremo oposto assistimos às maravilhas da graça atuando sobre o convívio humano e enriquecendo qualquer hagiografia, a começar pela do Varão por excelência, o Filho do Homem.

terça-feira, 18 de abril de 2017

EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A

COMENTÁRIOS AO EVANGELHO II DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A 
9 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo -Se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se a alegraram por verem o Senhor.
21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai Me enviou, também vos envio”. 22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24 Tomé, chamado Dídimo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-Se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
27 Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28 Tomé respondeu “Meu Senhor e meu Deus!” 29 Jesus lhe disse: “Acreditaste, por que Me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
30 Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20, 19-31).
A bem-aventurança de crer no testemunho da Igreja
São Tomé não acreditou em São Pedro e nos demais Apóstolos quando lhe anunciaram a Ressurreição do Senhor. Nós somos convidados a adquirir a bem-aventurança, crendo no que a Igreja nos ensina.
I- A PRIMEIRA APARIÇÃO DE JESUS AO COLÉGIO APOSTÓLICO
Nosso Senhor Jesus Cristo, se quisesse, poderia ter ascendido aos Céus imediatamente após a Ressurreição. Entretanto, tal é o seu empenho em nos salvar que quis permanecer ainda quarenta dias na Terra, manifestando-Se em várias ocasiões a numerosas testemunhas, para deixar patente sua vitória sobre a morte e demonstrar ser Ele a garantia de nossa ressurreição. Com efeito, todos nós abandonaremos esta vida — uns antes, outros depois —, mas a Fé nos dá a certeza de que, se morrermos na graça de Deus, um dia nos congregaremos no Vale de Josafá (cf. Jl 4, 2), à direita do Supremo Juiz, e, tendo retomado nossos corpos em estado glorioso, subiremos “ao encontro do Senhor nos ares” (I Ts 4, 17), para com Ele habitarmos no Paraíso Celeste, O penhor dessa realidade futura está presente de modo especial no Evangelho proposto pela Igreja para este domingo de encerramento da Oitava da Páscoa.
Um fator providencial: o medo
19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou...
O Evangelho se abre com um episódio ocorrido no próprio dia da Ressurreição. Desde a aurora haviam se sucedido umas às outras as notícias sobre as aparições do Senhor e, embora os Apóstolos não lhes tivessem dado crédito, São Pedro e São João haviam constatado estar vazio o sepulcro (cf. Jo 20, 3-8). Ao cair da tarde, ainda os encontramos reunidos no Cenáculo. Temerosos de que os judeus viessem à sua procura e os levassem para a prisão, fecharam bem todas as portas do local. Não obstante, enquanto conversavam — talvez em voz baixa, receosos das ameaças que sobre eles pairavam —, de repente, “Jesus entrou”.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Evangelho Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor – Ano A

Comentários ao Evangelho Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor – Ano A
1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2
Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde O colocaram”. 3 Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4 Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5 Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
6 Chegou depois Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7 e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8 Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. 9 De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos (Jo 20, 1-9).
Uma mulher precedeu os evangelistas
Para comunicar aos Apóstolos a primeira e fundamental verdade do Evangelho, Deus não escolheu um Anjo e nem sequer um homem. Foi Maria Madalena o arauto da Boa-nova da Ressurreição do Senhor.
I – Vitória de Cristo sobre a morte
“Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição…” (Mt 17, 5). Seria suficiente esse amor infinito do Pai pelo Seu Unigênito para que operasse Sua ressurreição, porém, ademais concorreu para tal o brilho da justiça divina, conforme São Tomás de Aquino: “A esta pertence exaltar os que se humilham por causa de Deus, conforme diz Lucas (1, 52): “Destronou os poderosos e exaltou os humildes”. E já que Cristo, por seu amor e obediência a Deus, se humilhou até a morte de cruz, era preciso que Ele fosse exaltado por Deus até a ressurreição gloriosa” 1.
Tomados de adoração, uma vez mais foi-nos possível acompanhar liturgicamente ao longo da Semana da Paixão, o quanto a morte teve uma aparente vitória no Calvário. Todos que por ali passavam podiam constatar a “derrota” de Quem tanto poder havia manifestado não só nas incontáveis curas por Ele operadas, como também em Seu caminhar sobre as águas ou nas duas vezes que multiplicou os pães.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Evangelho Vigília Pascal na Noite Santa – Ano A

Comentários ao Evangelho da Vigília Pascal na Noite Santa – Ano A
1 "Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. 2 De repente, houve um grande tremor de terra: o Anjo do Senhor desceu do Céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela. 3 Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. 4 Os guardas ficaram com tanto medo do Anjo, que tremeram, e ficaram como mortos. 5 Então o Anjo disse às mulheres: ‘Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. 6 Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que Ele estava. 7 Ide depressa contar aos discípulos que Ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós O vereis. É o que tenho a dizer-vos'. 8 As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9 De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: ‘Alegrai-vos!'. As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10 Então Jesus disse a elas: ‘Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles Me verão'" (Mt 28, 1-10).
O prêmio concedido aos que mais amam
Na manhã de domingo as mulheres acorreram ao sepulcro para prestar as últimas homenagens ao Corpo do Senhor. E o próprio Jesus, desejando recompensá-las, foi ao seu encontro anunciar as alegrias da Páscoa.
I - A primeira Páscoa
A origem da Solenidade da Páscoa remonta ao Antigo Testamento, quando os israelitas saíram da escravidão do Egito após quatro séculos de cativeiro. Depois de ter infligido diversos castigos aos egípcios com o intuito de persuadi-los a deixar partir o seu povo, como o Faraó não se comovesse Deus determinou que um Anjo exterminador ceifasse a vida de todos os primogênitos do país, dos homens e até dos animais. Entretanto, não permitiu que os descendentes de Abraão fossem atingidos. Determinou que os marcos e as travessas das portas das casas fossem assinalados com o sangue do cordeiro consumido na ceia daquela noite, a fim de serem poupados (cf. Ex 12, 12-13). Tão terrível foi a execução, que não só as autoridades consentiram na saída dos filhos de Israel, como também a população o suplicou, reconhecendo haver um fator sobre-humano nesses acontecimentos. Os hebreus puseram-se em marcha sem demora, rumo ao Mar Vermelho, o qual se abriu milagrosamente, possibilitando-lhes a travessia a pé enxuto (cf. Ex 14, 21-22).
Este episódio de grande importância na História da salvação chamou-se Páscoa, que quer dizer passagem, isto é, o Senhor passou adiante e não feriu os hebreus, possibilitando-lhes o acesso à almejada liberdade social e política. Para perpetuar a lembrança desse acontecimento, Ele ordenou sua comemoração anual, como está descrito no Livro do Êxodo: "essa mesma noite é uma vigília a ser celebrada de geração em geração por todos os israelitas, em honra do Senhor. [...] Conservareis a memória deste dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão, porque foi pelo poder de sua mão que o Senhor vos fez sair deste lugar" (12, 42; 13, 3).

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sexta-Feira da Paixão do Senhor

Comentários ao Evangelho da Sexta-Feira da Paixão do Senhor
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João
Naquele tempo, 1 Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde Ele entrou com os discípulos. 2 Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-Se aí com os seus discípulos. 3 Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. 4 Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: “A quem procurais?” 5 Responderam: “A Jesus, o Nazareno”. Ele disse: “Sou Eu”. Judas, o traidor, estava junto com eles. 6 Quando Jesus disse: “Sou Eu”, eles recuaram e caíram por terra. 7 De novo lhes perguntou: “A quem procurais?” Eles responderam: “A Jesus, o Nazareno”. 8 Jesus respondeu: “Já vos disse que sou Eu. Se é a Mim que procurais, então deixai que estes se retirem”. 9 Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: “Não perdi nenhum daqueles que Me confiaste”.
10 Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. 11 Então Jesus disse a Pedro: “Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai Me deu?”
12 Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e O amarraram. 13 Conduziram-No primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. 14 Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: “É preferível que um só morra pelo povo”.
15 Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. 16 Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17 A criada que guardava a porta disse a Pedro: “Não pertences também tu aos discípulos desse Homem?” Ele respondeu: “Não!” 18 Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se.
19 Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. 20 Jesus lhe respondeu: “Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. 21 Por que Me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que Eu disse”. 22 Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-Lhe uma bofetada, dizendo: “É assim que respondes ao sumo sacerdote?” 23 Respondeu-lhe Jesus: “Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que Me bates?” 24 Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.
25 Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: “Não és tu, também, um dos discípulos d’Ele?” Pedro negou: “Não!” 26 Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: “Será que não te vi no jardim com Ele?” 27 Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.
28 De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a Páscoa.
29 Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: “Que acusação apresentais contra este Homem?” 30 Eles responderam: “Se não fosse malfeitor, não O teríamos entregue a ti!” 31 Pilatos disse: “Tomai-O vós mesmos e julgai-O de acordo com a vossa Lei”. Os judeus lhe responderam: “Nós não podemos condenar ninguém à morte”. 32 Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.
33 Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-Lhe: “Tu és o Rei dos judeus?” 34 Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de Mim?” 35 Pilatos falou: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes Te entregaram a mim. Que fizeste?” 36 Jesus respondeu: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é daqui”.
37 Pilatos disse a Jesus: “Então, Tu és Rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: Eu sou Rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”. 38 Pilatos disse a Jesus: “O que é a verdade?” Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: “Eu não encontro nenhuma culpa n’Ele. 39 Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o Rei dos judeus?”
40 Então, começaram a gritar de novo: “Este não, mas Barrabás!” Barrabás era um bandido.
19,1 Então Pilatos mandou flagelar Jesus.
2 Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na cabeça de Jesus. Vestiram-No com um manto vermelho, 3 aproximavam-se d’Ele e diziam: “Viva o Rei dos judeus!” E davam-Lhe bofetadas. 4 Pilatos saiu de novo e disse aos judeus: “Olhai, eu O trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro n’Ele crime algum”. 5 Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: “Eis o Homem!” 6 Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: “Crucifica-O! Crucifica-O!” Pilatos respondeu: “Levai-O vós mesmos para O crucificar, pois eu não encontro n’Ele crime algum”. 7 Os judeus responderam: “Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, Ele deve morrer, porque Se fez Filho de Deus”.
8 Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. 9 Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: “De onde és Tu?” Jesus ficou calado. 10 Então Pilatos disse: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para Te soltar e autoridade para Te crucificar?” 11 Jesus respondeu: “Tu não terias autoridade alguma sobre Mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem Me entregou a ti, portanto, tem culpa maior”. 12 Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: “Se soltas este Homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”. 13 Ouvindo essas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado “Pavimento”, em hebraico “Gábata”. 14 Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: “Eis o vossoRei!” 15 Eles, porém, gritavam: “Fora! Fora! “Qual a utilidade do meu Sangue?” Crucifica-O!” Pilatos disse: “Hei de crucificar o vosso Rei?” Os sumos sacerdotes responderam: “Não temos outro rei senão César”.
16 Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles O levaram.
17 Jesus tomou a Cruz sobre Si e saiu para o lugar chamado “Calvário”, em hebraico “Gólgota”. 18 Ali O crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. 19 Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na Cruz; nele estava escrito: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”. 20 Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21 Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: “Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim o que Ele disse: ‘Eu sou o Rei dos Judeus’”. 22 Pilatos respondeu: “O que escrevi, está escrito”.
23 Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto abaixo. 24 Disseram então entre si: “Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura que diz: “Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica”. Assim procederam os soldados.
25 Perto da Cruz de Jesus, estavam de pé a sua Mãe, a irmã da sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26 Jesus, ao ver sua Mãe e, ao lado d’Ela, o discípulo que Ele amava, disse à Mãe: “Mulher, este é o teu filho”. 27 Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua Mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo A acolheu consigo. 28 Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”.
29 Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
31 Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33 Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não Lhe quebraram as pernas; 34 mas um soldado abriu-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu Sangue e água.
35 Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36 Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. 37 E outra Escritura ainda diz: “Olharão para aquele que transpassaram”.
38 Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus — mas às escondidas, por medo dos judeus —, pediu a Pilatos para tirar o Corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o Corpo de Jesus. 39 Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40 Então tomaram o Corpo de Jesus e envolveram-No, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.
41 No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
42 Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus (Jo 18, 1—19, 42).
“Qual a utilidade do meu Sangue?”
No dia em que a Santa Igreja contempla o perfeito holocausto oferecido pelo Divino Redentor ao Pai, somos convidados a meditar sobre o peso de nossos pecados nos sofrimentos de Jesus.
I – “Eis o Homem!”
Com cuidado e delicadeza exímia a Santa Igreja estabelece a cerimônia da Sexta-Feira Santa, cerne de nossa devoção e religiosidade. Na sua sabedoria divina, na sua perfeição e no seu espírito imaculado escolhe o Evangelho da Paixão segundo São João, com o objetivo de iluminar e fortalecer a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo como Messias, verdadeiro Filho de Deus. O texto de si é tão claro e eloquente que, no conjunto da Liturgia, nos permite meditar sem maiores explicações.
A par disso, por ser muito extenso impossibilita o comentário de versículo por versículo. Pelo que nos limitaremos a ressaltar algumas passagens que ajudem nosso progresso na vida espiritual e façam compreender melhor a grandeza da Paixão, acontecimento central na História.

domingo, 9 de abril de 2017

Evangelho Quinta-Feira Santa (Missa da Ceia do Senhor)

Comentários ao Evangelho Quinta-Feira Santa (Missa da Ceia do Senhor) 
1 Era antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado Sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3 Jesus, sabendo que o Pai tinha posto tudo em Suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4 levantou-Se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6 Chegou, assim, a Simão Pedro. Pedro disse: ‘Senhor, tu me lavas os pés?'. 7 Respondeu Jesus: ‘Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás'. 8 Disse-lhe Pedro: ‘Tu nunca me lavarás os pés!'. Mas Jesus respondeu: ‘Se Eu não te lavar, não terás parte comigo'. 9 Simão Pedro disse: ‘Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça'. 10 Jesus respondeu: ‘Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos'.  11 Jesus sabia quem O ia entregar; por isso disse: ‘Nem todos estais limpos'.
12 Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-Se de novo. E disse aos discípulos: ‘Compreendeis o que acabo de fazer? 13 Vós Me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois Eu o sou. 14 Portanto, se Eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz'" (Jo 13, 1-15). 
Como Deus nos amou
Amar aos outros como Deus nos amou! Eis uma das mais belas formas de preparar-nos para a Eucaristia no tempo da Páscoa que agora começa. Se assim fizermos, estaremos imitando, de fato, em nossas vidas, o Divino Mestre no sublime ato do lava-pés.
 I - "Deus é amor"

Um insuperável clímax de plenitude de amor atinge o Sagrado Coração de Jesus naquelas últimas horas de convívio com os Seus. Transcorrem ali, naquele histórico recinto, os momentos finais de Sua vida terrena. São os derradeiros episódios que constituem o grande pórtico dos sagrados mistérios da Redenção prestes a realizarem- se. Os inimigos se agitam e se entre-estimulam a perpetrar o mais grave homicídio de todos os tempos. Encontram-se eles na dependência de um guia possuído por Satanás, aguardando o momento propício para agarrar o Messias e conduzi- Lo aos tormentos da Cruz. Não há minuto a perder, é indispensável o Salvador externar ao Pai e aos discípulos o transbordante amor a borbulhar no interior de Seu Sagrado Peito.